segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quando a teoria nos aclara a vista..

"As chamadas minorias , por exemplo, precisam reconhecer que, no fundo, elas são a maioria. O caminho para assumir-se como maioria está em trabalhar as semelhanças entre si e não só as diferenças e assim, criar a unidade na diversidade, fora da qual não vejo como aperfeiçoar-se e até como construir-se uma democracia substantiva, radical" (Freire, 1994, p.154).

 
"O problema político aparece quando se considera que há tantas reivindicações quanto forem as necessidades em torno das quais nascem os movimentos. Movimentos feministas, anti-racistas, da "terceira idade", dos indígenas, dos marginais e desocupados, que se adicionam aos da classe operária industrial, dos camponeses empobrecidos ou "sem-terra", e aos movimentos mais geopolíticos de luta contra as metrópoles colonialistas, o eurocentrismo, o militarismo ou "movimentos pacifistas", ecológicos, etc. Cada um desses movimentos tem reivindicações diferenciais, que em princípio se opõem. Como se pode passar de uma reivindicação particular a uma reivindicação hegemônica que possa unificar todos os movimentos sociais de um país em um momento dado?
[...]

Seria possível ainda pensar que as reivindicações dos movimentos vão incorporando as demandas dos outros movimentos na própria. O feminismo descobre que as mulehres "de cor" são as mais maltratadas; que as operárias recebem menos salário; que as cidadãs não ocupam funções de representação; que as mulheres nos países periféricos sobrem ainda maior discriminação, etc. Da mesma maneira, o indígena descobre a exploração da comunidade no capitalismo, na cultura ocidental dominante, no racismo sutil mas vigente, etc. Ou seja, por mútua informação, diálogo, tradução de suas propostas, práxis militante compartilhada, lentamente se vai constituindo um hegemón analógico que inclui todas as reivindicações de algum modo..."(Enrique Dussel, 20 Teses de Política, 2007, Tese 11, p. 90-91)

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