quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Atuação no Conjunto Habitacional Leningrado: a tabulação

Após a fase de aplicação dos questionários, continuamos constatando os problemas e deficiências da comunidade com o próximo passo que é a tabulação. Essa fase tem grande importância, pois é nela que obtemos os resultados do questionário e as estatísticas referentes à comunidade em que atuamos.
A tabulação é baseada nos preceitos lecionados por Paulo Freire e Adriano Nogueira, são discorridos na obra “Que fazer: teoria e prática em educação popular”: não se pode trazer à comunidade um pacote de conhecimento previamente elaborado, pois incorreria no risco de uma educação bancária ineficaz, que não atende às especificidades da comunidade.
Como romper com isto? O questionário traz a resposta, pois em sua tabulação se observa o conhecimento que é necessário, interessante e útil para ser construído em conjunto com a comunidade. Inclusive nas perguntas subjetivas, onde procuramos considerar a voz dos moradores, com seus comentários, mostrando como ocorrem suas apreensões e compreensões de mundo.
Após a tabulação, é o momento de interpretação dos resultados, e posteriormente, de criação dos temários, que serão elaborados de acordo com as demandas da comunidade, para que ocorra uma intervenção que respeite a autonomia dos participantes, já que o conhecimento é construído nestes encontros de formação por ambos os lados, o da universidade e o da vivência e conhecimento de mundo dos moradores, quebrando com a tradicional forma de lecionar onde o educador deposita conhecimento no educando, que o reproduz, não participando da construção do conhecimento, e portanto, não desenvolvendo sua própria criticidade.
Os pressupostos principais desses encontros são: 1- Para se exercer um direito, o primeiro passo é conhecê-lo; 2- A educação é um meio de transformação social.
Nós, do Programa Lições de Cidadania, não acreditamos nem aceitamos uma postura de indiferença frente às desigualdades e violações do cotidiano. Este tipo de postura de neutralidade e de silêncio é cômoda e hipócrita, não pode ser levada adiante, concordamos com Friederich Hebbel, que dizia: “viver significa tomar partido”, portanto, não podem existir homens que estejam alheios à coletividade.

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